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Lancaerie
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De todas as reservas por onde andei até hoje esta e sem duvida uma das minhas favoritas, não necessariamente pela sua beleza mas pela atmosfera que a rodeia, e talvez pela sua semelhança com os Dead Marshes (see LotR - RotK). Apesar de parecer um sitio sequinho, posso-vos garantir que não é...

É a maior das reservas do UWT, com 224 hectares, e a segunda maior turfeira intacta na Irlanda do Norte.
E quando as nuvens ou o nevoeiro aparecem, e fácil perdermo-nos la dentro. Tudo parece igual e existem inúmeras valas e poços de lama onde podemos cair e possivelmente não voltar a sair.
Por experiência própria posso dizer que mesmo que só se fique enterrado até à cintura não se sai sem ajuda de alguém...
As valas foram cavadas, para drenar a água, por uma empresa que comprou a turfeira há umas décadas, para extrair a turfa, como meio energético. Por sorte, o UWT lá conseguiu convencer o governo local a tornar esta turfeira numa Reserva Natural Nacional, para além de ser também uma Área de Especial Interesse Cientifico.
Apesar de terem conseguido parar a drenagem da água, tapando as saídas das valas, estas continuam lá, por isso todo o cuidado é pouco.
Claro que ao longo dos anos alguma da turfa foi extraída, o que fez com o solo a volta da turfeira secasse, dando oportunidade aos arvoredo que existe à volta de se expandir... Portanto nos próximos meses esperam-me muitos dias a cortar árvores! O plano é também vedar a área que já foi turfeira, mas que esta infestada de árvores, e inundá-la, de modo a permitir que este pântano volte a crescer.
Óbvio que isso vai demorar uns largos milhares de anos, considerando que os musgos (Sphagnum) que constituem a turfeira só crescem 1 ou 2 mm por ano...

Para perceberem melhor o interesse deste sitio passo a explicar como é que ele veio a existir.
Algures na última idade do gelo, no sítio onde hoje existe o Ballynahone Bog, havia um lago. Ao secar progressivamente a vegetação foi-se alterando, aparecendo então os tão importantes musgos. Ora, como o habitat continua saturado de água, e como tal com niveis muito baixos de oxigénio, nada apodrece, o que quer dizer que quando um musgo morre, continua lá, e os outros simplesmente crescem por cima.
Assim, para terem uma ideia, a distância do centro desta turfeira (mais alto que as bermas) ao solo por baixo, são aproximadamente 6 metros. E estes 6 metros de musgos, matéria que não se decompõe e água (90% da turfeira é água) fazem um "chão" muito engraçado.
Se alguém saltar ao vosso lado (presumindo que não se enterram em lama) o chão move-se, quase como um colchão (mas talvez não tão elástico...).
Uma sensação estranha, digo-vos já... Mas única!
Para além disso existem ainda poços, ou buracos, cavados no neolítico (ou por essas alturas), onde eram depositadas oferendas aos deuses do pântano. Estas oferendas podiam ser comida (foi encontrada manteiga com milhares de anos ainda em estado consumível algures numa turfeira deste género), ou mesmo sacrifícios humanos.
Aqui têm uma fotos de um destes locais:

Nem quero imaginar o que ainda lá pode andar dentro...
Quanto a espécies interessantes: existe obviamente musgos Sphagnum, alguns bastante raros na Irlanda do Norte, algodão das turfeiras (Eriophorum angustifolium)

(foto tirada de: http://www.tireeimages.com/), uma espécie de planta carnívora que se alimenta de insctos (acho que é a única aqui por terras irlandesas, mas não tenho a certeza...) e ainda asfódelo da turfeira (Narthecium ossifragum)

(foto tirada de: www.wikipedia.com), uma planta que, segundo conta a história, quando ingerida pelo gado, diminui o cálcio no organismo, dando origem a ossos mais frágeis, e frequentemente partidos...
Não sei se tem algum fundamento cientifico, para além do facto de esta planta viver em solos acídicos e pobres em cálcio, mas pelo menos fez com que ninguém se atreve-se a usar a turfeira como local de pasto...
Já para não falar que provavelmente iam acabar com ovelhas e vacas enterradas em lama até aos olhos...
A volta de toda a turfeira existem bosques de vidoeiro, que suportam uma variedade de passarinhos, borboletas e libélulas.
Entre os dois habitats, bosques e turfeira, a gradação é bastante drástica. Num momento estamos num bosque verdinho, cheio de passarinhos a cantar, e um metro a seguir estamos num pântano onde praticamente não se detecta vida animal...

Mas supostamente é um bom sitio para encontrar lagarto comum (Lacerta vivipara). Quando encontrar um (e o conseguir fotografar) eu aviso!
Existe também uma boa história sobre um casal de águias-de-asa-redonda que aparentemente nidifica na única grande árvore que existe no meio da turfeira.
Mas essa fica para o próximo post...
É a maior das reservas do UWT, com 224 hectares, e a segunda maior turfeira intacta na Irlanda do Norte.
E quando as nuvens ou o nevoeiro aparecem, e fácil perdermo-nos la dentro. Tudo parece igual e existem inúmeras valas e poços de lama onde podemos cair e possivelmente não voltar a sair.
Por experiência própria posso dizer que mesmo que só se fique enterrado até à cintura não se sai sem ajuda de alguém...
As valas foram cavadas, para drenar a água, por uma empresa que comprou a turfeira há umas décadas, para extrair a turfa, como meio energético. Por sorte, o UWT lá conseguiu convencer o governo local a tornar esta turfeira numa Reserva Natural Nacional, para além de ser também uma Área de Especial Interesse Cientifico.
Apesar de terem conseguido parar a drenagem da água, tapando as saídas das valas, estas continuam lá, por isso todo o cuidado é pouco.
Claro que ao longo dos anos alguma da turfa foi extraída, o que fez com o solo a volta da turfeira secasse, dando oportunidade aos arvoredo que existe à volta de se expandir... Portanto nos próximos meses esperam-me muitos dias a cortar árvores! O plano é também vedar a área que já foi turfeira, mas que esta infestada de árvores, e inundá-la, de modo a permitir que este pântano volte a crescer.
Óbvio que isso vai demorar uns largos milhares de anos, considerando que os musgos (Sphagnum) que constituem a turfeira só crescem 1 ou 2 mm por ano...
Para perceberem melhor o interesse deste sitio passo a explicar como é que ele veio a existir.
Algures na última idade do gelo, no sítio onde hoje existe o Ballynahone Bog, havia um lago. Ao secar progressivamente a vegetação foi-se alterando, aparecendo então os tão importantes musgos. Ora, como o habitat continua saturado de água, e como tal com niveis muito baixos de oxigénio, nada apodrece, o que quer dizer que quando um musgo morre, continua lá, e os outros simplesmente crescem por cima.
Assim, para terem uma ideia, a distância do centro desta turfeira (mais alto que as bermas) ao solo por baixo, são aproximadamente 6 metros. E estes 6 metros de musgos, matéria que não se decompõe e água (90% da turfeira é água) fazem um "chão" muito engraçado.
Se alguém saltar ao vosso lado (presumindo que não se enterram em lama) o chão move-se, quase como um colchão (mas talvez não tão elástico...).
Uma sensação estranha, digo-vos já... Mas única!
Para além disso existem ainda poços, ou buracos, cavados no neolítico (ou por essas alturas), onde eram depositadas oferendas aos deuses do pântano. Estas oferendas podiam ser comida (foi encontrada manteiga com milhares de anos ainda em estado consumível algures numa turfeira deste género), ou mesmo sacrifícios humanos.
Aqui têm uma fotos de um destes locais:
Nem quero imaginar o que ainda lá pode andar dentro...
Quanto a espécies interessantes: existe obviamente musgos Sphagnum, alguns bastante raros na Irlanda do Norte, algodão das turfeiras (Eriophorum angustifolium)

(foto tirada de: http://www.tireeimages.com/), uma espécie de planta carnívora que se alimenta de insctos (acho que é a única aqui por terras irlandesas, mas não tenho a certeza...) e ainda asfódelo da turfeira (Narthecium ossifragum)

(foto tirada de: www.wikipedia.com), uma planta que, segundo conta a história, quando ingerida pelo gado, diminui o cálcio no organismo, dando origem a ossos mais frágeis, e frequentemente partidos...
Não sei se tem algum fundamento cientifico, para além do facto de esta planta viver em solos acídicos e pobres em cálcio, mas pelo menos fez com que ninguém se atreve-se a usar a turfeira como local de pasto...
Já para não falar que provavelmente iam acabar com ovelhas e vacas enterradas em lama até aos olhos...
A volta de toda a turfeira existem bosques de vidoeiro, que suportam uma variedade de passarinhos, borboletas e libélulas.
Entre os dois habitats, bosques e turfeira, a gradação é bastante drástica. Num momento estamos num bosque verdinho, cheio de passarinhos a cantar, e um metro a seguir estamos num pântano onde praticamente não se detecta vida animal...
Mas supostamente é um bom sitio para encontrar lagarto comum (Lacerta vivipara). Quando encontrar um (e o conseguir fotografar) eu aviso!
Existe também uma boa história sobre um casal de águias-de-asa-redonda que aparentemente nidifica na única grande árvore que existe no meio da turfeira.
Mas essa fica para o próximo post...
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Ballynahone Bog
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Lancaerie
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Bem, de todas as reservas do UWT (das quais ainda só visitei uma pequena parte) decidi começar por Crossgar, já que é onde fica a sede da organização.
Para já o trabalho por aqui consistiu apenas de arrumações, inventários (não imaginam a quantidade de diferentes tipos de pás e chaves de fendas que existem) e dar banho às pick-ups. De vez em quando lá vem um trabalhito no computador, mas geralmente são dias calmos em Crossgar.
Vamos então ao mais importante: as fotos!
Primeiro um dos edifícios mais bonitos de Crossgar (alias o único bonito), onde ficam as estufas (como se percebe bem pela imagem...)

E para terminar algumas das vistas possíveis à volta da sede... Apesar de ser uma área pequena ainda tem uns caminhos muito bonitos...


Para já o trabalho por aqui consistiu apenas de arrumações, inventários (não imaginam a quantidade de diferentes tipos de pás e chaves de fendas que existem) e dar banho às pick-ups. De vez em quando lá vem um trabalhito no computador, mas geralmente são dias calmos em Crossgar.
Vamos então ao mais importante: as fotos!
Primeiro um dos edifícios mais bonitos de Crossgar (alias o único bonito), onde ficam as estufas (como se percebe bem pela imagem...)
E para terminar algumas das vistas possíveis à volta da sede... Apesar de ser uma área pequena ainda tem uns caminhos muito bonitos...
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Crossgar
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Olá olá!
Apesar de já se terem passado quase 4 semanas desde que aqui cheguei, este post vai servir como introdução a toda esta experiência que está a ser viver aqui em Belfast!


A chegada foi acolhedora, com o típico tempo irlandês! (ver imagens acima...)
Estou a viver numa moradia também típica destes lados, em tijolo vermelhinho, como alias é a maioria da cidade!
Infelizmente, uma das desvantagens de não me sentir como uma turista é que ainda não tirei fotos decentes dos edifícios lindos que há espalhados por Belfast!
Mas para já podem ficar com uma panorâmica da cidade vista das colinas que a envolvem, mais especificamente de um sitio chamado Cave Hill. Belfast é, obviamente, o aglomerado de casas do lado direito.

Para terem melhor a noção do que foi chegar ao topo, aqui fica. As colinas são as chamadas Cave Hill, devido as 3 grandes grutas que existem, e o sitio de onde foi tirada a foto chama-se McArt's Fort, e está sinalizado com a bolinha vermelha (nada de pensamentos pecaminosos... Acho que dá demasiado trabalho chegar lá acima... Não deve haver malucos que vão para lá fazer dessas coisas...)

No sopé de Cave Hill está o castelo de Belfast! Também uma grande vista, especialmente os jardins. Infelizmente, como é usado para casamentos e coisas do género, não deu para visitar por dentro. Mas ainda apanhámos a noiva a fumar um cigarro as escondidas... Nem quero imaginar como estaria o noivo...

Para já, fico por aqui! Deixo-vos com mais umas fotos de Cave Hill, uma tirada a uma das grutas, outra ao cimo da colina, e outra a uma gigantesca árvore (não me perguntem que árvore é que eu não faço a mínima!)



Próximo post: Algumas fotos das reservas onde tenho andando a trabalhar (e a passear!)
Apesar de já se terem passado quase 4 semanas desde que aqui cheguei, este post vai servir como introdução a toda esta experiência que está a ser viver aqui em Belfast!
A chegada foi acolhedora, com o típico tempo irlandês! (ver imagens acima...)
Estou a viver numa moradia também típica destes lados, em tijolo vermelhinho, como alias é a maioria da cidade!
Infelizmente, uma das desvantagens de não me sentir como uma turista é que ainda não tirei fotos decentes dos edifícios lindos que há espalhados por Belfast!
Mas para já podem ficar com uma panorâmica da cidade vista das colinas que a envolvem, mais especificamente de um sitio chamado Cave Hill. Belfast é, obviamente, o aglomerado de casas do lado direito.
Para terem melhor a noção do que foi chegar ao topo, aqui fica. As colinas são as chamadas Cave Hill, devido as 3 grandes grutas que existem, e o sitio de onde foi tirada a foto chama-se McArt's Fort, e está sinalizado com a bolinha vermelha (nada de pensamentos pecaminosos... Acho que dá demasiado trabalho chegar lá acima... Não deve haver malucos que vão para lá fazer dessas coisas...)
No sopé de Cave Hill está o castelo de Belfast! Também uma grande vista, especialmente os jardins. Infelizmente, como é usado para casamentos e coisas do género, não deu para visitar por dentro. Mas ainda apanhámos a noiva a fumar um cigarro as escondidas... Nem quero imaginar como estaria o noivo...
Para já, fico por aqui! Deixo-vos com mais umas fotos de Cave Hill, uma tirada a uma das grutas, outra ao cimo da colina, e outra a uma gigantesca árvore (não me perguntem que árvore é que eu não faço a mínima!)
Próximo post: Algumas fotos das reservas onde tenho andando a trabalhar (e a passear!)
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Belfast